O RD Summit se apresenta como o maior evento de Marketing Digital da América Latina, e ele realmente é. A edição de 2019, que aconteceu entre os dias 6 e 8 de novembro, teve espaço para o Inbound, para o Customer Success, para gestão e empreendedorismo, para as novas tecnologias e tendências do mercado, para as vendas e também para o elemento mais importante do marketing: pessoas.

Para além do B2B e B2C, fomos apresentados ao termo H2H: human to human. É fácil esquecer que por trás de planejamentos, métricas, relatórios e vendas existem pessoas. Recuperar isso através do marketing humanizado e da diversidade foi uma constante em palestras de profissionais, especialistas e consultores que passaram pelos palcos do RD Summit 2019. A seguir, alguns dos ensinamentos que tiramos da programação.

Emoção, empatia e ética, por Liliane Ferrari

Liliane é especialista em comunicação e marketing, trabalhando hoje com foco em social media. Sua apresentação tratou do marketing humanizado, que é composto por três elementos: emoção, empatia e ética. Ética chega a ser redundante, pois é uma característica necessária em todo relacionamento e em todas comunicações, mas infelizmente sabemos que ela frequentemente é ignorada.

Foi dado destaque para uma frase de Philip Kotler, o pai do marketing, "Pense no consumidor não em termos de alguém que vai comprar seu produto, mas que deseja que omundo seja um lugar bom para viver. O que você está fazendo para mostrar a ele que se importa?". Esse elemento de se importar com o público é a empatia. A emoção entra nessa equação porque, segundo Liliane, quem provoca uma emoção não é esquecido.

É importante tratar as pessoas (seus consumidores ou não) como pessoas, e não como uma massa homogênea. Optar por generalizações é o que causa tantos problemas com a falta de diversidade e de inclusão.

Para superar isso, grandes tendências para o marketing são a interação, a customização, a colaboração, a transparência e as comunidades. No final, “é sobre como você gostaria de ser tratado”.

O poder da gentileza, por Denise Fraga

Denise não é uma especialista de marketing, mas uma “investigadora de humanos”. Seja pela carreira como atriz, cronista, roteirista ou apresentando o quadro “Retrato Falado”, Denise aprendeu muito sobre o ser humano e sobre o poder da gentileza. Ela comenta como as novas gerações se adaptam muito mais rápido às tecnologias, ao mesmo tempo em que tudo parece caminhar para o isolamento e o individualismo. Ela destaca que os humanos são animais gregários e solidários, e que isso não vai mudar na mesma velocidade que as comunicações e tecnologias.

Embora tenhamos perdido a capacidade da gentileza, ela deve estar em exercício constante para uma melhor comunicação.

Social content e os reflexos da publicidade

Samantha Almeida é head de conteúdo na Ogilvy. Sua palestra passou rapidamente sobre a responsabilidade que o marketing tem perante a sociedade - e a relação do conteúdo no meio disso. O ‘conteúdo social’ parte do entendimento das pessoas, e então da mensagem, dos canais e dos formatos.

Para Samantha, que fez parte de uma campanha da Avon premiada e reconhecida pela diversidade e, claro, pelos resultados obtidos, os profissionais de marketing e publicidade precisam entender sua influência e a responsabilidade da comunicação. A sociedade reflete, cria e pode até mudar a partir do que as marcas representam.

O mundo real (e o digital) existem para além das nossas timelines e bolhas, ao mesmo tempo em que o senso de comunidade é uma realidade. Abraçar isso aproxima empresas e suas comunicações das pessoas.

Com a palavra, a rainha do marketing de conteúdo

Ann Handley é expert em marketing de conteúdo, e por isso é chamada de rainha. Chefe de Conteúdo da MarketingProfs e autora do livro “Everybody Writes” (entre outros), Ann foi uma das keynotes do RD Summit e utilizou o storytelling para abrir o segundo dia do evento falando sobre: conteúdo e confiança. Falamos sempre sobre atrair e converter leads, mas o mais interessante seria focar na confiança conquistada.

Ela contou a história do Bun, um coelho que aparecia perto da sua casa. Ann experimentou atraí-lo com cenouras e depois com salsão, mas ele não se aproximava. Ao entregar uma pilha de legumes, o bichinho se assustou e fugiu - esse foi um spam. Essa relação com Bun reflete como é feito o marketing e como o público responde a ele. “O coelho foi preparado para não gostar de mim. Com muita frequência, isso é o que nós, enquanto clientes, fazemos com o marketing. Quando vimos um sinal de marketing vindo na nossa direção, vamos embora. O consumidor é preparado para não confiar na gente”, destacou.

Ann falou sobre como é importante desacelerar, otimizar a jornada dos seus consumidores e também conhecer a fundo o seu público. Isso é o que vai construir um relacionamento simples, direto e acessível. É essencial encontrar o humano no meio de tudo.

Luciana Gameiro
Luciana Gameiro
Luciana Gameiro

É jornalista e especialista em Comunicação e Marketing Digital. Redatora e analista das estratégias de Inbound. Está no canal da Post e sempre atualizada nos últimos memes.